Dúvidas persistem sobre redução de capital do Jockey Club

Os accionistas do Macau Jockey Club reúnem-se a 1 de Agosto para votar a redução do capital social, o primeiro passo para a reestruturação financeira. Mas o economista Albano Martins questiona a capacidade da empresa para pagar dívidas de mais de1,4mil milhões de patacas.

Vítor Quintã

“Tenho curiosidade para saber comoé que eles vão fazer isto”, admitiu ao PONTO FINAL Albano Martins. Segundo uma convocatória publicada ontem em Boletim Oficial, os accionistas da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau vão no próximo dia 1 de Agosto votar uma redução do capital da operadora do Macau Jockey Club. Mas o economista avisa que isso só por si não elimina as dívidas da empresa, que no final de 2017 já ultrapassavam os 1,4 mil milhões de patacas.
Segundo o contrato de prorrogação do contrato de concessão das corridas de cavalos até 2042, publicado em Abril passado, o Jockey Club tem até 31 de Dezembro deste ano para reduzir e depois aumentar o capital social. O primeiro passo, marcado para 1 de Agosto, é a redução “motivada por perdas”, de três mil milhões de patacas para apenas 30 milhões. “Em termos financeiros chama-se mesmo a operação harmónio: encolhe e depois alarga”, explica Albano Martins.
Não é claro como é que o Governo e o Jockey Club decidiram esta redução de capital em 2,9 mil milhões de patacas. Um valor que não corresponde nem aos prejuízos acumulados da empresa – 4,18 mil milhões de patacas –, nem ao passivo da operadora – 1,44 mil milhões de patacas. O PONTO FINAL pediu esclarecimentos à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e ao Jockey Club mas não recebeu qualquer resposta.
Albano Martins acredita que a única explicação é que a esmagadora maioria das dívidas da Companhia de Corridas de Cavalos, que faz parte do império do jogo criado pelo magnata Stanley Ho, é a sócios da própria empresa. Ou seja, diz o também presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau, há a possibilidade dos accionistas perdoarem as dívidas da empresa, algo que ele encara de forma jocosa: “Se for esse o caso, então merecem ir todos para o céu”.

Perdão à vista

No entanto, Albano admite que, se a opção tomada for mesmo o perdão da dívida, “então mais valia perdoar tudo e manter os três mil milhões [de patacas]de capital social na mesma”. O economista acrescenta que a parte desconhecida desta equação poderá ser a dívida do Jockey Club ao Governo. Os sucessivos relatórios da empresa são sucintos ao máximo e não revelam nada sobre os detentores da dívida.
Da parte da Administração apenas se sabe que tem 150,52 milhões de patacas a haver em rendas não pagas, uma quantia que deve ser paga em prestações mensais no espaço de três anos, a contar a partir de 1 de Abril passado. O PONTO FINAL perguntou ao Gabinete do secretário para a Economia e Finanças qual o total que o Jockey Club deve ao Governo, mas não recebeu qualquer resposta.
Embora a extensão do contrato da Companhia de Corridas de Cavalos tenha sido anunciada em Fevereiro e publicada em Boletim Oficial em Abril passado, só agora é que a empresa avança para a redução do capital social. Isto porque o Jockey Club esperou até 27 de Junho, três dias antes do limite legal, para apresentar as contas de 2017. “Deviam estar ocupados a preparar a tal engenharia financeira que vão usar”, diz Albano Martins.
A convocatória não menciona o passo seguinte, que seria um aumento do capital social pelo menos até 600 milhões de patacas, a realizar até ao final do ano. A votação de 1 de Agosto deverá assim ser apenas a primeira de várias, segundo o que ficou acordado com o Governo. O Jockey Club teria mais um ano e meio para aumentar novamente o capital social, no mínimo até mil milhões de patacas. Finalmente, até ao final de 2023, seria realizado o último aumento, até 1.500 milhões. O incumprimento destas medidas poderá levar à suspensão ou rescisão do contrato.

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