Apae de Nova Iguaçu pode fechar devido à crise. Instituição já está com aviso de corte

Alessandra de Souza mostra a conta de luz da Apae, que atende 60 pessoas especiais

São 60 pessoas especiais assistidas e mais 90 na fila de espera, mas a Apae Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, pode ter que fechar as portas. Com sérios problemas financeiros, a unidade não está conseguindo fechar no azul. A luz está com ameaça de corte, porque a conta no valor de R$ 1.359,69 que venceu dia 21 não foi paga.
— Tem 90 pessoas aguardando vaga, mas a fila está parada. Não posso aumentar carga horária do terapeuta se não consigo aumentar salário nem contratar outro. Tenho dívidas trabalhistas no valor de R$ 150 mil — conta Alessandra Vidas de Souza, presidente da Apae Nova Iguaçu.

Funcionários que deixaram a instituição no fim de 2017 ainda não receberam. Os que estão, segundo a presidente, queixam-se dos baixos salários. A unidade já tem pouco mais da metade do valor da conta de luz, mas ainda conta com doações para quitar a dívida. A instituição conta com doações e repasse da Prefeitura de Nova Iguaçu. Alessandra disse que, há 11 anos, a Apae recebe R$ 6 mil mensais do governo municipal:
— Durante a campanha, o prefeito nos fez duas visitas e disse que iria triplicar o valor do repasse. Depois que ele foi eleito, procuramos ele duas vezes na prefeitura, em março e junho do ano passado, mas a primeira-dama que nos recebeu e prometeu vir aqui. Até hoje não veio.
Além do recurso da prefeitura, a unidade recebia uma verba da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), mas o valor deixou de ser pago em janeiro de 2016. A folha de pagamento tem nove profissionais, que são professoras, assistentes sociais, orientador pedagógico, equipe de terapia. Outras funções são ocupadas por mães e pais voluntários.
Uma das mães é Cátia Regina Liacone da Rocha, de 50 anos. Ela atua na tesouraria como voluntária. O filho, Gabriel Cássio Rocha de Oliveira, de 16 anos, que tem síndrome de Down, é atendido na Apae desde os 10.
— Eu trazia ele e acabava ficando até a hora de sair porque era distante. Aí sempre fazia uma coisa. Comecei no bazar, mas já trabalhei na cozinha, limpeza. Se isso acabar, vai ser complicado porque aqui ele tem escola e tratamento no mesmo lugar — teme Cátia.
Márcia com o filho Samuel. Ela é voluntária e ele é atendido na instituição
Márcia com o filho Samuel. Ela é voluntária e ele é atendido na instituição Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
Há dois anos e meio, Márcia Maria Marques Pereira, de 40, atua como voluntária no setor do Patrimônio da Apae Nova Iguaçu. O filho, Samuel Figueiredo, de 11, tem autismo.
Antes de chegar à unidade, o menino passou por uma escola particular e uma pública. Há três anos, ela aguarda atendimento para o menino em fila de instituições públicas:
— Tudo o que ele precisa (fonoaudiólogo, psicólogo e terapia ocupacional), tem aqui na Apae. Se fechar , vou ter que voltar para a fila de espera.
O prefeito Rogério Lisboa disse que, “apesar de todas as dificuldades da prefeitura, quero garantir que tudo que a prefeitura puder fazer para manter a Apae, será feito’’. Apesar da declaração, Lisboa não deu mais detalhes sobre o que será feito.
Por conta da crise financeira no estado, todos os convênios da FIA foram suspensos em janeiro de 2017. Em nota, a instituição disse que “não há previsão para que os pagamentos sejam retomados. Aguardamos orientação da Secretaria de Fazenda’’.

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